sábado, 23 de junho de 2007

A primeira visão da máquina de voar.

1970
Era o final da tarde um dia como os outros, não nos interessava as horas, a turma toda de amigos reunida na beira da calçada em chão de terra dura batida, as bolinhas de gude rolavam sem parar, era um campeonato e estava muito bom, todos estavam bem agasalhados fazia um frio ardido e seco, o dia estava quase terminando, a correria para o jogo terminar era frenética, a iluminação da rua seria ligada pelo eletricista da rua só depois que escurecesse totalmente e antes da luz de ser ligada, ficar no escuro, no final do campeonato de bola de gude não dava... mas foi nesse momento entre os palmos-e-tecos, a ticola dois, um ruído surge bem acima das nossas cabeças, e o barulho estava cada vez mais forte quando toda a turma viu: era um helicóptero! Parecia que estava caindo, uma fumaça saía pela parte de trás lá pelo motor, mas estava firme, pairou sobre a rua, bem acima de nossas cabeças, imóvel, estava tão baixo que sentimos o vento soprando com cheiro de querosene, rapidamente deu um rodopio e rumou para um campo aberto próximo, parou, plainou novamente, rodopiou e veio em nossa direção, pairou novamente, rodopiou novamente e voltou em sentido ao descampado como estivesse chamando a molecada toda e daí aconteceu: a máquina desceu! Pousou e imediatamente desligou seu motor. Nosso campeonato de bola de gude acabou por completo!
A rua ficou para trás, todos nós corremos para ver o Helicóptero sem nos importar com o campeonato. O mato alto, frio, acho que estava úmido de orvalho, não segurou ninguém, a turma toda correu até chegar proximo da máquina, Huuualllllll ! É vermelho e branco! Disse um colega. Não tem rodas não, esclamou um outro!
Estranho que algo se mechia dentro dele! A turma estava a uns vinte, ou trinta metros do helicóptero, todos parados e com medo de não sei o que, foi quando o piloto, que ninguém até então tinha visto, abriu a porta da cabine, desceu, olhou para a hélice acima que girava lentamente, fechou a porta, mecheu em alguma coisa onde estava saindo a fumaça durante o vôo, depois olhou pra nossa direção e veio caminhando rapidamente com uma espingarda debaixo do braço apontada para o chão e quando chegou bem próximo, perguntou em vós alta como se fosse um grito : Preciso de alguém para conversar!
A turma quase toda aterrorizada, saiu em disparada gritando, voltando de onde tinham vindo:
Corre !!! é um soldado e está com uma arma... sái daí, todo mundooooo ! Correeeee...Correeee...
Ficamos eu mais dois amigos, não ficamos com medo, mas estavamos paralizados hehehee!
Foi um grande susto, o piloto chegou bem perto e foi falando que a gente não precisava ter medo, pois só queria conversar com alguem que pudesse informar onde ele iria poder buscar gasolina para continuar a voar. Nisso, fomos perdendo o medo do ilustre visitante e destravando...
Continua.

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